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SÃO LUIS

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Ilha de São Luís / Ilha dos amores

A Ilha de São Luís, no Norte maranhense, está a 02º 31'04" de latitude sul e a 44º 16'42" de longitude a oeste de Greenwich. Limita-se, ao norte, com o Oceano Atlântico; ao sul, com a Baía do Arraial e com o Estreito dos Mosquitos (sobre o qual duas pontes fazem a comunicação com o continente, através de veículos rodoviários e ferroviários); a leste, com a Baía de São José, e a Oeste, com a Baía de São Marcos.

Constituída pela agressão sucessiva de sedimentos terciários, a Ilha tem uma topografia de patamares escalonados, cujo mais elevado ponto atinge 35m.

Chamada Upaon-Açu (Ilha Grande) pelos indígenas que a habitavam quando da chegada dos franceses,  tinha 27 aldeias. E no lugar de muitas delas existem, ainda hoje, povoações e vilarejos, alguns com os primitivos nomes.

A  Ilha de São Luís - chamada antigamente Ilha do Maranhão - tem  905 Km2 de superfície. Continua dotada de uma rede hidrográfica que lhe assegura a existência de bons mananciais e de numerosos rios perenes, embora nenhum de grande porte. Tem ainda igapós e alagados repletos de buritizeiros, juçareiras e outras espécies da flora nativa que crescem em terrenos profusamente regados e úmidos.

Mas a agressiva devastação das florestas fez diminuir sensivelmente a quantidade e a intensidade das vertentes e rios de que deram entusiasmados testemunhos os primeiros cronistas, especialmente Claude d'Abbeville (1612) e Simão Estácio da Silveira (1619).

O clima da Ilha é tropical e semi-úmido, com elevada precipitação pluviométrica que alcança 2.083, 7mm, sendo o período de março a junho o de mais intensas chuvas. A temperatura média anual é de 26º c, com variação ascendente nos meses de agosto a novembro, porém amenizada por uma permanente brisa e ventos fortes. É marcante o predomínio de suas estações: o verão, tempo de dias ensolarados e noites amenas, sobretudo na orla marítima, que vai de julho a dezembro, e o inverno, bastante chuvoso, de janeiro a junho.

Além da capital maranhense, localizam-se, na Ilha, os municípios de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa (criado em 1994).

São muito variadas as manifestações da cultura popular na Ilha de  São Luís, onde, a qualquer tempo, e às vezes concomitantemente, há eventos festivos, sejam profanos, sejam religiosos. Incluem-se no rol dos últimos, dezenas de terreiros que,  durante o ano todo, festejam seus deuses tutelares.

Sob as formas de festas, exposições, feiras, festivais, ajuntamentos e funções, celebram-se em hora a produtos, seres e entidades do céu, da terra, do ar e das águas.

Algumas dessas promoções já acontecem há bastante tempo, como é o caso da Festa da Juçara, que se vem repetindo  em outubro, no lugar Maracanã, desde 1970, quando a instituiu o espírito realizador e preservacionista da inesquecível Rosa Mochel Martins, amiga de gente, bichos e plantas.

 

Em Iguaíba realizaram o Festival do Coco D' Água; em Tibiri e Pau Deitado, fazem-se do camarão. É vastíssimo o calendário festivo da Ilha, não cabendo aqui, enumeração precisa, porque todos os dias são de alegria e de celebração à vida.

O município de São Luís tem 518 Km2 de extensão e se acha na parte Nordeste da Ilha. A parte mais antiga da cidade dá a frente para  a Baía de São Marcos, e é ladeada pelos braços de mar ou rios chamados Anil e Bacanga.

Da população da Ilha, estimada em um milhão de habitantes, cerca de 800 mil residem em São Luís, cidade que se estende para além de seus limites administrativos,  abrangendo  parcelas territoriais dos municípios vizinhos, que indica a tendência para a constituição, em futuro próximo, a Grande São Luís, que compreenderá, praticamente toda  a Ilha.

Depois das Informações Gerais relativas ao Estado do Maranhão e à Ilha de São Luís, consideremos aspectos particulares que possibilitaram conhecer melhor a cidade de São Luís através de sua história, costumes, patrimônio arquitetônico, instituições culturais, culinária, folclore e tudo quanto constitui a cultura de um povo, orgulhoso de ser brasileiro, porém muito cioso de suas tradições.

Pouco importa o meio de transporte utilizado para chegar a São Luís. Provavelmente, a cada maneira como se chega à Cidade do Senhor de La Ravardiere, haverá de corresponder o conjunto das primeiras e marcantes impressões sobre ela. Mas ninguém desejaria permanecer apenas nesses iniciais modos de ver e sentir uma cidade, qualquer que ela seja.

No caso particular de São Luís, a necessidade de conhecê-la  ainda se torna maior e mais imperativa, já que a capital maranhense  não é uma cidade qualquer.

Dona da beleza singular que lhe conferem seus sobradões de azulejos com soleiras de cantaria, beirais de fiança e sacadas de ferro, atestado de uma fase de prosperidade econômica e requintado bom-gosto, São Luís tem muito a mostrar e oferecer, embora possa a princípio, guardar-se em  recato e pudor. Mera sisudez facilmente superável ao primeiro e sincero aperto de mão, seguido de abraço verdadeiramente amigo. Todas as honras ao visitante que é amigo, eis a lição de hospitalidade que deixaram os tupinambás, imemoriais senhores desta Ilha Grande, por eles chamada Upaon-Açu.

Vale a pena sentir-lhe o calor humano, iniciar-se em seus mistérios, degustar-lhe as iguarias da cozinha típica, subir e descer ladeiras, através de ruas, becos e travessas também já trilhadas por muita gente que é impossível não conhecer e amar.

Gente que pontificou na política, na literatura, na música, na religião, nas lutas cívicas, no magistério, no jornalismo e nas ciências, a exemplo de Jerônimo de Albuquerque, herói da expulsão dos franceses e primeiro capitão-mor do Maranhão, terra a que tanto se afeiçoou, que fez incorporar o topônimo que a designa a seu nome, passando a assinar-se Jerônimo de Albuquerque  Maranhão, por orgulho e em memória de seu feito assinalado; do navegador Simão Estácio da Silveira, que em 1619 trouxe tantos colonos para São Luís, que com eles dobrou a população da nascente da cidade, de  cuja Câmara Municipal foi o organizador e primeiro presidente; e que de volta ao Reino, como procurador destes povos, escreveu a Relação sumária das causas do Maranhão, encomiástica propaganda de nossa terra, dirigida aos pobres de Portugal; do Bem aventurado Gabriel Malagrida, de Padre Antônio Vieira, de Manoel Beckman (o Bequimão), de  Gonçalves Dias, João Francisco Lisboa, Odorico Mendes, Sotero dos Reis, Gomes de Sousa, Antônio Rayol, Sousândrade, Joaquim Serra, Gentil Braga, Trajano Galvão, Artur e Aluísio Azevedo, Celso Magalhães, Urbano Santos, Coelho Neto, Humberto de Campos, Antônio Lobo, Antônio Lopes Nascimento Moraes e muitos, muitos outros que não daria para mencionar.

Esses vultos são verdadeiras legendas emblemáticas da Cidade, porque a ela sempre se ligaram. Pertencem à história do Maranhão a à história do Brasil. Por maior ou menor tempo aqui residiram. Em travessas, becos e ruas cujos nomes líricos ou pitorescos, alguns de puro sabor português, ninguém esquece jamais: ruas Formosa, da Estrela, do Sol, da Viração, dos Afogados, das Crioulas, do Mocambo, das Flores, do Alecrim, da Inveja, das Barrocas, da Itamacacá, do Portinho, da Prensa, do Prego, do Rancho, da Lapa, do Canela.

Alguns becos mudaram de nome e até de categoria. O do Quebra-Costas, que também já foi chamado Beco da Pacotilha, é hoje a Rua João Vital. Mas o primeiro nome que o povo lhe deu, foi o Beco do Quebra-Bunda, em alusão às muitas quedas que deveriam levar transeuntes desatentos a seu traçado íngreme, tortuoso e escorregadio; o Beco da Baronesa homenageia D. Mariana Francisca de Viveiros, Baronesa de São Bento, que residiu no solar da Rua Santo Antônio, No. 161  onde hoje sediada Escola de Música do Estado do Maranhão, em cujo canto começa a artéria. Homenageia a baronesa e procura esconder seu verdadeiro e ainda vivo nome popular: Beco da Bosta, por causa dos cabungos que escravos conduziam, através dele, para despejo no mar, ali bem perto, na Praia do Caju.

Já o Beco de Catarina Mina, sem dúvida a mais bela escadaria a céu aberto que a Cidade tem, era a antiga Rua da Calçada, que o povo carinhosamente rebatizou  com nome de sua bela moradora, e que o Governo pretendeu que se chamasse Rua Djalma Dutra, denominação que não pegou. Começa na Avenida Pedro II, à altura do portão de serviço do Palácio dos Leões, e termina na Travessa da Alfândega. No  trecho compreendido entre as ruas de Nazaré e do Trapiche, está a escadaria de pedra lioz que acompanha o acentuado declive do terreno, e em cujo sopé morava e tinha casa comercial a encantadora preta mina Catarina Rosa Ferreira de Jesus, a célebre  Catarina Mina. Escrava alforriada, fez fortuna e, casando, obteve patente de alferes da guarda Nacional para seu marido cafuz, segundo informa João Afonso do Nascimento, que a retratou com toda a ostentação de suas vestes rendadas e muitas jóias.

Esteja-se onde estiver, hospedado em hotel ou acolhido pela hospitalidade de algum parente ou amigo, é conveniente partir de um ponto para conhecer a Cidade. Por mera convenção, admita-se que esse ponto de partida seja o marco da  fundação de São Luís, pelos franceses, a 8 de setembro de 1612.

Trata-se já de um terceiro monumento, inaugurado a 8 de setembro de 1962, por ocasião das festividades alusivas aos 350 anos da capital maranhense. Os dois primeiros, erigidos pela Municipalidade, desapareceram nas sucessivas reformas da Avenida Pedro II.

O atual símbolo evocativo é trabalho do arquiteto maranhense Carlos Alberto Braga Diniz e, com certeza, a primeira frustração  de sua carreira. Recém-formado e de volta à cidade, Braga Diniz terá visto no convite para projetar a obra, uma auspiciosa oportunidade de realização profissional.

Dedicou-se inteiramente à tarefa e conheceu o que lhe parecia digno de São Luís. Mas tudo não passou da prancheta, pois o Governo do Estado reduziu  drasticamente o orçamento, dispondo-se a gastar apenas um doze avos do montante previsto. Assim, a obra que teria a fundação festiva e soleníssima de São Luís, ficou amesquinhada às proporções de simples obeliscos antes pobre que modesto.

Não se pode  determinar o exato local em que os fidalgos Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, e François de  Rasilly, Senhor de Rasilly e Aunelles, mandaram chantar a grande  cruz de madeira para a missa com que solenizaram a posse da nova terra, em nome do rei de França, dando ao ousado e brilhante  sonho da França Equinocial a sua contraface  concreta, que tão pouco duraria (1612-15).

Sabe-se, porém, que as cerimônias se deram em algum lugar da atual Avenida  Pedro II, área que começa  no balaústre sobre o viaduto em frente ao Palácio Arquiepiscopal.

Também é sabido que tais cerimônias se revestiam de grande beleza, pompa e entusiasmo, os franceses paramentados com seus melhores vestidos, portando insígnias e condecorações, e os índios ostentando  nos corpos robustos e belamente pintados, a festa de plumas e cores de seus colares, tangas, braceletes e pingentes.

Das solenidades que oficializaram o domínio espiritual e a conquista administrativo-militar da França sobre a nascente colônia, o Franciscano Claude d´Abeville, chefe da missão religiosa da França Equinocial, fez  minucioso e poético relato em seu livro História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas. E transcreve, também, o texto das Leis  Fundamentais decretadas, em nome da rainha regente, a 1º de  novembro de 1612.

Do marco erguido para perpétua memória de sua fundação, São Luís se expande, generosa e hospitaleira, na rosa-dos-rumos de suas vielas, escadarias, ruas, ladeiras e fontes, configuração não apenas  topográfica, porque essencialmente sentimental e lírica.

De que falam os azulejos, as escadas das mansões senhoriais, os telhados, as pedras de cantaria? Ah, de tanta coisa, que são necessários tempo, investigação e paciência para saber: de lendas, mitos, histórias; de heroísmo, santidade, insurreição e ternura; de arroubos de paixão desagrada ou explosões de ódio cego e vingança inclemente, que para esses extremos de bem-querer e de mal querença tivemos sempre forte e grande coração.

Aqui a cidade nasceu, mas sem tardança procurou outros sítios para onde, aos poucos, se foi expandindo. As vias de comunicação entre esses pontos nucleares passaram de simples veredas abertas, na mataria, a estradas, algumas a caminhos-reais quem indicaram, como instintivo plano urbanístico, as direituras e inflexões de um crescimento antigo de quase quatrocentos anos e operando ao ritmo da vida econômica do Maranhão, em que se contam ciclos prósperos e períodos de depressão, de decadência até.

No pequeno espaço ocupado pela Avenida Pedro II, que antes se chamava Avenida Maranhense, acha-se o Palácio dos Leões, onde despachavam e residiam os governadores maranhenses. À esquerda, o Palácio La Ravardiere, sede da Prefeitura e antigo Senado da Câmara e Cadeia, que também  sediou a Junta de Justiça e, posteriormente, o Tribunal da Relação, solenemente instalado a 4 de novembro de 1813. Em sua frente acha-se o busto de Daniel de La Touche, guarnecido por duas ordenanças.

Do mesmo lado, no sentido de que se dirige à Catedral, há um conjunto de sobrados que, por suas dimensões e características arquitetônicas, não são dos mais notáveis da Cidade. Por outros motivos, porém, são notáveis, entre eles, o sobrado com mirante, hoje dividido  sob os números 199 (sede da Junta Comercial do Estado do Maranhão) e 209 (agência do Banco do Estado do Rio de Janeiro), que foi um dos palacetes residenciais da famosa matrona D. Ana Jansen, e o número 241, onde, dos 2 aos 16 anos de idade (entre 1870 a 1884), viveu Graça Aranha, romancista de Canaã e discutido prócer da Semana da Arte Moderna de 1922. Nos baixos desse imóvel funcionaram a redação de oficinas de O País, prestigioso e importante jornal de que Temístocles da Silva Maciel Aranha, pai do escritor, foi proprietário e diretor, no período 1868 e 1884.

Do lado oposto, a primeira edificação é a Capitania dos Portos, prédio de construção relativamente nova, assim como os do Banco do Brasil, do Banco da Amazônia e do Tribunal de Justiça, todos ocupando espaços onde anteriormente havia construções coloniais.

Sobre o edifício João Goulart, construído para sede da superintendência regional do hoje extinto INAMPS, e mostrengo arquitetônico por muito tempo sem essa denominação, por força dos zelos cívicos pós 64, o evidente mau gosto dispensa qualquer comentário. Lamentável é que esteja no lugar em que antes se achava um belo sobrado de azulejos verdes e amarelos, sede, por longo tempo, da repartição dos Correios.

Aqui e ali, uma ou outra edificação tem escapado à descaracterização do trecho. Compreende-se o fato. Sendo esta a parte mais antiga da cidade, os imóveis e equipamentos urbanos primitivamente nela construídos, não o foram em condições de atravessar os séculos. E alguns houve, que precisam ser totalmente erradicados, a exemplo do Cemitério Velho ou da Misericórdia, nos fundos da Igreja da mesma invocação, também destruída desde o século XVIII.

Em princípios deste século, o logradouro foi completamente modificado e aformoseado, perdendo o aspecto de largo, em favor  de avenida, graças à construção de passeios, alamedas e canteiros, obra do Intendente Afonso Henriques de Pinho, em 1904.

Muitas são as intervenções que, ao longo dos anos, tem sofrido esta avenida. A principal e mais lamentável de todas foi, sem dúvida, a que derrubou criminosamente dezenas de árvores tão sabiamente plantadas neste e noutros pontos da Cidade.

Tempos  houve em que se reconhecia  a utilidade da vegetação, notadamente em clima tropical. As ruas, praças e avenidas eram arborizadas, o mesmo cabendo dizer quanto aos quintais das residências, cheios de árvores copadas e frutíferas. Também retiraram do espaço fronteiro ao Palácio do Comércio a estrela de Sotero dos Reis, ali inaugurada em 1928, por iniciativa e a expensas do Almirante R. F.  Cantanhêde. Media três metros de altura e tinha gravado, na parte superior, um medalhão de bronze com a efígie do homenageado, obra do escultor maranhense Newton Sá.

Sobre o Palácio do Comércio: foi esse edifício construído em duas fases. A primeira, no local do antigo Hotel Central; a segunda, no espaço ocupado pelo imóvel conhecido como Palácio dos Holandeses, que para isso foi arrasado. A sede da Associação Comercial do Maranhão deveria abrigar um museu permanente de produtos do Estado, escritório de serviço da entidade e um hotel modelar, o qual  foi o Hotel Central, em sua última fase, que durou da inauguração  do Palácio do Comércio até 1994, quando encerrou suas atividades, pondo fim à crescente decadência em que mergulhara. Da primeira fase desse estabelecimento, registra-se que no período de 1871-2 pertenceu a Francisco José da Silva, e que em 1896 era propriedade de Alfred Champoudry & Cia.

Coelho Neto nele se hospedou, em 1899, por ocasião de sua apoteótica visita ao Maranhão, cabendo ao poeta Sousândrade fazer-lhe o brinde de honra no banquete que a sociedade ofereceu ali ao escritor, então no auge de sua carreira literária.

Fundada por franceses, que aqui só puderam manter-se por três anos (1612-15), e invadida pelos holandeses, a quem a bravura dos portugueses e o espirito  nativista dos maranhenses impuseram igual tempo de denominação (1641-44), São Luís, hoje brasileira como poucas de nossas cidades poderão sê-lo, permaneceu, por mais de dois  séculos, um burgo tipicamente lusitano. E tão lusitano que, à custa de lutas memoráveis e sangrentas, retardou em  quase um ano a Independência proclamada por D. Pedro I, pois ela só aderiu em 28 de julho de 1823.

Desse modo será esforço baldado investigar o que a Cidade guarda de obras materiais ou de outras quaisquer expressões de cultura relativas aos atribulados triênios em que aqui estiveram franceses e holandeses. Dos primeiros, nada, além do topônimo com que batizaram a sede da conquista.

Quanto aos segundos, resta, mas não em sua versão original, a Fonte das Pedras, serventia deles, após estratégico desembarque pelo Desterro, cujo templo (então modesta ermida de frente para o Bacanga) teriam profanado.

Intolerância de invasores e calvinistas liderados por Pieter Bas, comandante  de armas, e pelo francês Pasquier, pastor de almas. Desse tempo de flamengos, São Luís também guardou por três séculos o prédio chamado Palácio dos Holandeses, por nele se haver instalado o comando invasor. Ficava na extremidade sul do atual Palácio do Comércio e, para a ampliação deste, no sentido da Rua de Nazaré, teve que ser demolido.

Que outros lembrariam franceses e holandeses ? Dir-se-ia que o Forte de São Luís, depois chamado de São Felipe, sob os portugueses, e onde é o Palácio dos Leões, e a lenda piedosa da ação providencial de Nossa Senhora da Vitória, conhecida como o Milagre de Guaxenduba; e, na expulsão dos prepostos do Conde Maurício de Nassau, o Outeiro da Cruz, onde foram decisivamente batidos; o Convento do Carmo, local de resistência e ofensiva portuguesa, e a lenda do Milagre de São João Batista. Todas porém, relembranças não deles, mas dos maranhenses. Coisas de nossa bravura e de nossa fé.

Quem é daqui, pertence à Cidade, que por sua vez lhe pertence na razão direta do carinho recíproco e do mútuo bem-querer.

Ao que chega, desde que não venha em missão nefanda de exploração predatória ou de ocupação colonialista, dir-se-á, com simplicidade, mas de muito bom coração, como é comum ouvir-se da hospitalidade popular:

- Entre, se abanque e esteja à vontade.

Arte e Cultura

Escritores e Poetas

José de Sousa Montello nasceu em São Luís, a 21 de agosto de 1917. Romancista, poeta, teatrólogo, ensaísta, polígrafo enfim, de invejáveis recursos e larga erudição, é sem dúvida, dentre os de sua geração na família intelectual maranhense, o que há alcançado maior renome. Foi Inspetor do Ensino Comercial, Técnico de Educação, Diretor dos Cursos da Biblioteca Nacional, Secretário Geral do Estado do Maranhão, Diretor Geral da Biblioteca Nacional e subchefe da Casa Civil do Presidente da República; regeu, na Universidade de San Marcos ( Lima, Peru ), de  que foi feito professor "honoris causa ", a cátedra de estudos brasileiros, é membro do Instituto de Estudo Brasileiro de Lisboa e do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, e sócio efetivo das Academias Brasileiras de Letras ( cadeira n.29 , de Martins Pena ) e Maranhense de Letras ( Cadeira n.31 de Raimundo Lopes ). As numerosas bibliografia de J.M inclui - a par de ensaios literários, peças teatrais, Literatura Infantil, obras de pedagogia e biblioteconomia, e estudos históricos - coletâneas de contos, novelas e romances. Nestes, demonstra ele seu apego aos esquemas tradicionais da arte de narrar não apenas pela linguagem direta, nítida, fluente, como sobretudo pela preeminência dada à  tessitura do enredo, à caracterização psicológica das personagens ( amiúde em termos de análise psicanalítica ) e à descrição dos costumes sociais de São Luís do MA, onde se ambienta a ação de tais romances.

Paulo Melo de Souza, nasceu em São Luís, a 6 de maio de 1960. Graduado em Desenho Industrial e Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) pela Universidade Federal do Maranhão, de cujo Curso de Comunicação Social é, atualmente, professor.

Um dos criadores do grupo Poeme-se, de marcante atuação como promotor de recitais, leituras de poesia, debates literários, além de haver montado, na Praia Grande, sebo e locadora de livros que tem prestado assinalados serviços à difusão cultural.

Paulo Melo Souza publicou diversos poemas em revistas de São Luís e Brasília. Enfeixou parte de sua produção poética no livro Oráculo de Lúcifer.

Parto

a poesia dispensa guarda-costas

ela é medula

habita a flora da linguagem

constrói sua febre

das cinzas do céu e do inferno

fênix da palavra

basta a si mesma para explicar sua g6enese.

(Oráculo de Lúcifer).

Lucy de Jesus Teixeira, nasceu em Caxias-MA, a 11 de julho de 1922. Bacharela em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, teve, durante seus estudos na capital mineira, relevante atuação literária, que continuaria quando a São Luís, participando de movimentos literários e mantendo constante colaboração literária na imprensa, sob pseudônimo de Maria Karla.

Funcionária do Ministério das Relações Exteriores, serviu, por muitos anos, em representações diplomáticas do Brasil na Bélgica, Espanha e Itália.

Aposentada (1990), reside atualmente em Limeira-SP e visita periodicamente São Luís e cidades do interior maranhense. Parte de sua produção poética reunida nos livros Elegia fundamental (1962) e Primeiro palimpesto (1978).

José Francisco das Chagas, nasceu em Piancó-PB,  a 29 de outubro de 1924, achando-se radicado no Maranhão desde 1948. Jornalista, cronista e poeta, pertence à Academia Maranhense de Letras.

Além de livros de prosa, publicou os seguintes, de poesia: Canção da expectativa (1955), O discurso da ponte (1958), O caso da ponte São Francisco (1964), Os telhados (1965), Maré / memória (1973), Lavoura azul (1974), Colégio do vento (1974), Maré de moça (1977), Pão e água (1978), Os canhões do silêncio (1979), todos reeditados em Poesia reunida (1980),e ainda: De lavrae de palavra ou campoemas (1980), Maré de aço (onda de alumínio), ou o naufrágio da Ilha (1983), A cor do puro (1983), Cem anos de infância  ou o poeta e o rio (1985), Águas de silêncio (1987), A arcada do tempo (1988), Antropoema ou o signo da humana dor (1988), Alcântara; negociação do azul ou a castração dos anjos (1994) e Tabuada de memória (1994).

Bandeira Tribuzi, nome literário de José Tribuzi Pinheiro Gomes, nasceu em São Luís,  a 2 de fevereiro de 1927, e faleceu na mesma cidade, a 8 de setembro de 1977. Professor, economista. Jornalista, ensaísta, poeta. Após estudos superiores na Universidade de Coimbra, retornou a São Luís, em 1945. Seus livros Alguma existência (1948), Rosa da esperança (1950), Safra (1961), Sonetos (1962), Pele e osso (1970) e Breve memorial do longo tempo (1977) foram,  acrescido de poemas inéditos, reunidos no Livro  Poesias completas (1979), do qual apareceu uma reedição em 1986, sob o título Poesia reunida.

Joaquim de Sousa Andrade, que por iniciativa própria, aglutinou seu nome literário para Sousândrade, nasceu na fazenda Nossa Senhora da Vitória, então município de Guimarães-Ma, a 9 de julho de 1832, e faleceu em São Luís, a 21 de abril de 1902. De família abastada, cedo perdeu os pais. Após os estudos preparatórios em São Luís, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos de Medicina, logo abandonados. Viajou, em seguida para a França, matriculando-se na Sorbonne, para estudar Letras e Engenharia de Minas. Esteve em outros países europeus, voltou ao Maranhão, visitou o Amazonas e morou por mais de dez anos nos Estados Unidos, acompanhando a educação de sua filha Maria Bárbara. Depois de muito viajar, regressou definitivamente a São Luís, em 1885, de onde raramente saiu, em curtas temporadas.

Republicano histórico e abolicionista, Sousândrade foi o primeiro prefeito de São Luís, após a Proclamação da República. É idealizador da Bandeira do Maranhão.

Poeta de grande força expressional, escreveu uma obra inovadora e personalíssima, sendo considerado um precursor da moderna poesia brasileira.

Autor de um poema épico pan-americano, O Guesa, em que  trabalhou durante toda a vida, publicou, também, Harpas selvagens (1857), Novo éden (1893) e diversos volumes com poesias diversas e cantos de O Guesa, sua obra maior. Os livros Harpa de ouro e Liras perdidas, deixados inéditos, foram publicados em 1970.

Antônio Gonçalves Dias nasceu a 10 de agosto de 1823, no interior de Caxias-Ma, e faleceu a 3 de novembro de 1864, já na costa maranhense, no naufrágio do Ville de Boulogne, navio em que viajava da França, com destino ao Maranhão

Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, Gonçalves Dias retornou de Portugal em 1845, vindo para São Luís e daqui para Caxias. No ano seguinte viajou para o Rio de Janeiro, onde deu início à carreira literária que logo o elevaria ao reconhecimento de maior poeta brasileiro de seu tempo.

Além da obra de ciência que o consagrou como importante etnógrafo, ao lado do Dicionário da língua tupi, da memória Brasil e Oceania, dos dramas, Beatriz Cenci, Leonor de Mendonça e Boabdil, Gonçalves Dias produziu uma das mais importantes obras da poesia brasileira, enfeixada no volume Cantos (1857 ), que reúne os livros Primeiros cantos ( 1846 ), Segundos cantos e Sextilhas de Frei Antão ( 1848 ) e Últimos cantos (1851). Ficou incompleto o poema americano Os Timbiras, que seria composto de 16 cantos, dos quais foram publicados os quatro primeiros, em 1857.

José Américo Olímpio Augusto Cavalcante dos Albuquerques Maranhão Sobrinho nasceu em Barra do Corda - MA, a 30 de dezembro de 1879, e faleceu em Manaus, a 25 de Dezembro de 1915.  Membro fundador da Academia Maranhense de Letras, tornou-se, depois, patrono de sua Cadeira n.º 21.

Um dos mais importantes simbolistas brasileiros, deixou vasta produção esparsa em jornais de São Luís, Belém e Manaus.  Publicou os livros de versos Papéis velhos (1908), Estatuetas (1909) e Vitórias régias (1911).

Francisco de Assis Garrido nasceu em São Luís, a 14 de setembro de 1899, e faleceu na mesma cidade, a 1º de dezembro de 1969. Pertencia à Academia Maranhense de Letras, onde ocupava a Cadeira n.º 4. Publicou entre outros, os livros Sol glorioso (1922), O meu livro de mágoa e de ternura (1923), O livro da minha loucura (1923), A divina mentira (1944) e Crepúsculo (1969).    

Odylo Costa Filho nasceu em São Luís, a 14 de dezembro de 1914, e faleceu no Rio de Janeiro, a 19 de Agosto de 1979. Ensaísta, novelista, jornalista e poeta. Foi, em seu tempo, uma das mais expressivas figuras da imprensa brasileira. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

Autor da consagrada novela (1965), publicou estes livros de poema: Tempo de Lisboa e outros poemas (1967), Cantiga Incompleta (1971), Notícias de amor (1974) e Boca da noite (1979).

Manoel Caetano Bandeira de Mello, maranhense de Caxias, onde nasceu a 30 de julho de 1916, reside no Rio de Janeiro. Jornalista, professor, tradutor e poeta, pertence à Academia Maranhense de Letras.                               

Autor de diversos livros em prosa, tem publicados estes, de poesia: A viagem humana (1960), O mergulhador (1963), Canções da morte e do amor (1968), Da humana promessa (1976), Uma canção à beira-mar (1977), Durante o canto (1978), A estrada das estrelas (1981), Da constante canção (1983), e Outono estação do amor.

Dos 15 sonetos de O mergulhador.

Roberto Kenard Fernandes Rios nasceu em São Luís, a 18 de outubro de 1958. Jornalista, é autor de penetrantes textos ensaísticos publicados na imprensa. Distinguido com diversos prêmios conferidos por concurso literários promovidos em São Luís e em outras capitais brasileiras.

Além de figurar em antologias poéticas, publicou os livros de poemas No meio da vida, Do lado esquerdo do corpo e O camaleão no espelho.

Bernardo Coelho de Almeida nasceu em São Bernardo-MA, a 13 de junho de 1927, e faleceu em São Paulo, a 4 de agosto de 1996. Foi sepultado em sua cidade natal. Pertenceu à Academia Maranhense de Letras. Jornalista, orador, romancista e poeta. Autor dos romances A última promessa (1968) e O Bequimão (1973), reuniu parte de suas numerosas crônicas no livro Galeria (1961).

Publicou, ainda, Éramos felizes e não sabíamos (1989) e os livros de poemas Luz! Mais luz!...(1954) e A gênese do azul (1955).

José Carlos Lago Burnett nasceu em São Luís, a 15 de agosto de 1929, e faleceu no Rio de Janeiro, a 2 de janeiro de 1995. Jornalista de grandes e admiráveis recursos, exerceu, praticamente, todas as funções de sua profissão, em que se fez mestre, escrevendo livros que se tornaram clássicos em seu gênero, além de proferir, a convite de cursos de Comunicação Social, palestras que eram verdadeiras aulas magnas sobre como escrever na imprensa.

A par de numerosa bibliografia em prosa, na qual se destacam dois livros de crônicas, publicou os livros de poesia Estrela do céu perdido (1949), O ballet das palavras (1951), Os elementos do mito (1953) e O amor e seus derivados (1984).

Manuel de Jesus Lopes nasceu em Dom Pedro -MA., a 2 de outubro de 1929. Bacharel em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Maranhão. Professor, Jornalista, técnico em desenvolvimento, função que exerceu na SUDENE, até aposentar-se. Membro da Academia Maranhense de Letras.

Além de trabalhos técnicos, Manuel Lopes é autor destes livros de poesia, com alguns dos quais conquistou prêmios literários: Voz no silêncio (1953), Poemas de agosto (1955), Um homem à beira do rio (1961), Campo-ilha-urbs ou canto puro, com muito amor, para São Luís do Maranhão (1977) e Canção itinerária (1989).

José Sarney nasceu em Pinheiro-MA., a 24 de abril de 1930. Bacharel pela faculdade de Direito do Maranhão, participou de diversos movimentos estudantis e literários ali nascidos.

Muito cedo iniciou-se no jornalismo e na literatura. Membro da Academia Maranhense de Letras, da qual foi presidente, e da Academia Brasileira de Letras, entre outras instituições culturais, inclusive estrangeiras. Deputado Federal, Governador do Maranhão, senador, Presidente da República, após o que, retornou ao Senado Federal e o presidiu.

Além de muitos outros livros, publicou Norte das águas, contos (1970), o romance O dono do mar (1995) ( Foto ep 03 ) e os volumes de poemas Canção inicial (1954) e Os maribondos de fogo (s. d. ).

Ferreira Gullar, nome literário de José Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís, a 10 de setembro de 1930. Jornalista, teatrólogo, ensaísta, crítico de arte e, principalmente poeta. Um dos maiores poetas brasileiros da atualidade.

Sua obra poética, reunida em Toda poesia (1980), compreende os livros A luta corporal (1954), O vil metal (1954-60), Poemas concretos/Neoconcretos (1957-8), Romances de cordel (1962-5), Dentro da noite veloz (1962-75), Poema sujo (1975), Na vertigem do dia (1975-80) e Barulhos (1980-7). Desse conjunto o autor excluiu Um pouco acima do chão (1949), livro de estréia, publicado quando ainda residia em São Luís.

Nauro Diniz Machado nasceu em São Luís, a 2 de agosto de 1935. Ensaísta, articulista e, sobretudo, poeta. Dono de uma bibliografia já próxima dos 30 títulos, estreou em 1958, com o livro Campo sem base, com certeza um grande acontecimento para a poesia brasileira, e que abriria caminho à consagração do autor, sempre confirmada e alargada pela sucessiva publicação de seus livros, a seguir mencionados: O exercício do caos b (1961), Do frustado órfico (1963), Segunda comunhão (1964), Ouro noturno (1965), Zoologia da alma  (1966), Necessidade do divino (1967), Noite ambulatória (1969), Do eterno indeferido (1971), Décimo divisor comum (1972), Testamento provincial (1973), A vigésima aula (1974), Os parreirais de Deus (1975), Os órgãos apocalípticos (1976), A antibiótica nomenclatura do inferno (1977), As órbitas da água (1978), Masmorra didática (1979), O calcanhar do humano (1981), O cavalo de Tróia (1982), O signo das tetas (1984), Apicerum da clausura (1985), Opus da agonia (1986), O anafilático desespero  da esperança (1987), A rosa blindada (1989), Mar abstêmio (1991), Lamparina da aurora (1992) e  Funil do ser (1995).

Fernando Braga dos Santos Gamellas nasceu em São Luís, a 29 de maio de 1944. Bacharel em Direito, reside, há alguns anos, em Brasília, onde continua a escrever poemas e trabalhos em prosa, muitos dos quais, estudos literários.

Estreou em 1967, com o livro de poemas Silêncio branco, a que outros se seguiram, a exemplo de Ofício do medo (1977),  O exílio do viajante (1982) e Campo memória (1991).

Laura Amélia Damous Duailibe nasceu em Turiaçu-MA, a 10 de abril de 1945. Tem extensa folha de serviços prestados em atividades ligadas à vida cultural de São Luís,. De assessora cultural da Secretaria de Estado da Cultura, continuou seu trabalho junto à Biblioteca Pública Benedito Leite, cujo anexo, para  estudantes, ajudou a criar, e na qualidade de diretora do centro de Criatividade Odylo Costa, filho, do Teatro Artur Azevedo. Atualmente é subsecretária da Secretaria de Estado da Cultura, pasta da qual já foi titular.

Publicou os livros  Bravíssima canção do amor constante(1985), Arco de tempo (1987) e Traje de luzes (1993).

Viriato Santos Gaspar nasceu em São Luís, a 7 de março de 1952. Um dos integrantes do Movimento Antroponáutica, participou, depois, da antologia Hora de guarnicê  (1975), que reuniu os então jovens poetas mais representativos de sua geração.

Atualmente radicado em Brasília, Viriato Gaspar é autor, entre outros, dos livros de poemas Manhã portátil (1984), Onipresença (1986), e  A lâmina do grito (1988).

Mário Martins Meireles, nasceu em São Luís, Maranhão, a 8/3/1925. Iniciou seus estudos primários em Santos-SP, em 1920, prosseguiu neles em Manaus-AM e no Rio de Janeiro-RJ e os concluiu em São Luís-MA, em 1926, na Escola Modelo Benedito Leite. Fez o curso secundário em São Luís, concluído-o em 1931, no Instituto Viveiros. A seguir, principiou o Curso de Direito na Faculdade do Maranhão, mas o interrompeu, em 1934, na da Bahia. Em 1966 fez o Ciclo de Estudos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, em São Luís.

Possui diversos trabalhos inéditos e já publicou os seguintes:

O imortal Marabá. São Luís, 1949. ( Co-autoria com Achilles Lisboa )

Gonçalves Dias e Ana Amélia. São Luís, 1959.

José do Patrocínio. São Luís, 1954.

Panorama da literatura maranhense. São Luís, Sioge,1955.

Veritas liberabit nos. São Luís,1957. Co-autoria com José Maria Ramos Martins

Antologia da Academia Maranhense de Letras. Rio,1958. Co-autoria com Arnaldo Ferreira e Domingos Vieira Filho

Pequena história do Maranhão. Rio,Senac,1959.

O 5o Centenário do Infante D. Henrique no Maranhão. São Luís, Federação do Comércio do Maranhão, 1960.

História do Maranhão. Rio, DASP, 1960. 2a. Edição, São Luís, Fundação Cultural do Maranhão,1980.

França Equinocial. São Luís, Departamento Universitário de Rádio, Imprensa e Livro, 1962. 2a. Edição, 1982.

Guia Turístico, São Luís do Maranhão. Rio, Bloch, 1962.

Glorificação de Gonçalves Dias. São Luís, Departamento de Cultura do Estado, 1962

Catulo, seresteiro e poeta. São Luís, Tip. São José, 1963.

São Luís - cidade dos azulejos. Rio, Graf. Tupy, 1964.

História da Independência no Maranhão. Rio, Artenova, 1972.

Símbolos nacionais do Brasil e estaduais do Maranhão. São Luís/Rio, FUNC/CEA, 1972, 2a. impres.,m/ano.

Luís Augusto Cassas de Araújo maranhense de São Luís, onde nasceu  a 2 de março de 1953, é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranhão. Tem vasta colaboração em prosa publicada na imprensa de São Luís. E é um dos poetas fundamentais de sua geração.

Embora escreva intensamente, e desde muito jovem, impõe grande rigor seletivo a seus poemas. Por isso, ao contrário do que geralmente acontece com os jovens poetas, não teve pressa na publicação do primeiro livro, fato que lhe permitiu estrear com uma obra que permanece à altura de sua produção posterior.

Publicou os livros  República dos becos (1981), A paixão segundo Alcântara (1985), Rosebud (1990) e  O retorno da aura (1994).

Jomar Moraes, autor de 15 livros, foi diretor da Biblioteca Pública Benedito Leite, do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado, do Departamento de Cultura do Estado, do Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão e secretário de Estado da Cultura.

Membro da Academia Maranhense de Letras, é seu atual presidente.

Mais numerosa, em que temos, no passado e no presente, grandes nomes, é a poesia maranhense. E de tal modo que, mesmo adotando severo rigor seletivo, é possível apresentar dezenas de poetas maranhenses. Não sendo, entretanto, citá-los todos, aqui vão, com sumárias indicações bibliográficas, vinte poetas, com breve amostra do muito que escreveram.

Artesanato:

Da fusão das três raças componentes do povo maranhense resulta um rico artesanato: são as armas, os utensílios e os adornos dos índios Canela, Guajajara, Urubus e Krikatís;  as delicadas rendas de Bilro, em padrões açorianos; os artigos tecidos com fibra do buriti; as redes-de-dormir, em fio de algodão ou linha mercerizada, largamente usadas nas varandas e nas alcovas das residências.

Notáveis são as miniaturas, em escala e com minuciosos detalhes, dos barcos típicos do litoral deste Estado, onde a arte naval é tradição, passada de pais a filhos, desde tempos imemoriais.

Esses produtos da criatividade do maranhense, inclusive réplicas miniaturas do Bumba-Meu-Boi, com seus vaqueiros, cazumbás, amos, índios e tocadores, podem ser encontrados em lojas especializadas pelo centro histórico da cidade.

Folclore:

O Povo de São Luís é alegre e festeiro. Principalmente no Carnaval e durante os festejos juninos, a cidade toda é festa. Se é Carnaval, sobem dos bairros milhares de foliões, organizados em blocos de fantasia uniforme, cantando os sambas que compõem, auto-acompanhados por variados instrumentos de percussão.

Milhares, porém, iniciados nos folguedos desde a meninice, brincam isoladamente ou em pequenos grupos, vestido de "fofões" de chita colorida, com máscaras as mais estranhas, fantásticas, produtos artesanais do rico imaginário popular, não raro reproduzindo animais da fauna ou das lendas maranhenses. Quem não se diverte nas ruas, esbalda-se, noites seguidas, nos animadíssimos bailes carnavalescos, oferecidos pelos clubes burgueses, pela sociedade organizada, podendo a folia terminar na orla marítima de São Luís. Mal termina o carnaval, começam os ensaios dos cordões de bumba-meu-boi e das quadrilhas que se apresentarão durante as festas juninas. Chegado o mês de Junho, São Luís transforma-se em imenso arraial. Em todos os bairros e nas Vilas dos arredores, armam-se barracas nos largos e nas praças enfeitadas de coloridas bandeirinhas. Muitos  deles têm sua própria quadrilha ou seu próprio cordão de bumba-meu-boi. Nesses lugares o povo canta, dança, bebe, come iguarias de milho, mingaus, cocadas, pés-de-moleque, pastilhas e toda sorte da culinária maranhense.

Então, é quando se pode apreciar a riqueza e o colorido dos chapéus, dos peitilhos e dos aventais dos brincantes do boi, cheios de fitas, penas, canutilhos, paetês, vidrinhos e lantejoulas, artísticas e caprichosamente bordados, quase sempre em padrões florais ou reproduzindo imagem de santos do culto católico-romano. Existem, em São Luís, quase 100 grupos de bumba-meu-boi, que guardam e reproduzem as características básicas desse ato popular, oriundo de Portugal, aqui impregnado, de modo sincrético, de valores culturais africanos e indígenas.

Mas não é só no São João e Carnaval. Festa tem o ano inteiro. Tem Tambor de Crioula, dança de origem africana; Tambor de Mina, variação maranhense para o candomblé; Festa do Divino; São Pedro; Cacuriá; Dança do Caroço... E o Reggae, ritmo jamaicano que se popularizou nas últimas décadas e já se tornou atração turística.

- Bumba-Meu-Boi -

- Tambor de Crioula -

- Tambor de Mina  -

- Dança do Coco -

- Cacuriá -

- Bicho Terra -

- Boi Barrica -

- Catirina -                                

Teatros:

São Luís foi ganhando ares modernos em projetos de urbanização, mas há uma parte antiga da cidade, de sobrados majestosos cuidadosamente lapidados. O centro antigo preserva a historia da cidade em cada detalhe dos mirantes, das sacadas com grades de ferro. Três teatros fazem parte do conjunto arquitetônico que seduz e fascina quem passeia pela ruas praças e avenidas. O mais imponente e hoje o mais moderno da América latina é o Teatro Artur Azevedo vestida de seda e linho donos de escravos e agora está aberto a todos. Com arquitetura e fachadas antigas, mais numa homenagem a dois artistas contemporâneos que levam a cultura maranhense para o resto do país, os Teatros Alcione Nazaré e João do Vale. Valem apena serem vistos a qualquer hora do dia. 

Arthur Azevedo

Alcione Nazaré

João do Vale

Calendário de Eventos Regionais:

E agora as festas

Desde os tempos mais remotos da colonizaçào, temos uma historia de muitas festas. Mas em função de cada época, variaram bastante os modos de faze-las e também as reações diante delas.               

Havia, no passado, muito preconceitos em relação às festas populares, que durante longos anos estiveram submetidas as severas censuras das autoridades.

O passar dos anos foi determinando mudanças na forma de brincar o carnaval.

De um tempo em que se podia falar do carnaval caracteristicamente maranhense, passamos a repetir o modo carioca de viver as alegrias de Momo. E ai tivemos um período de escolas de samba que tanto cresceram de ano a ano, em São luís, quanto começaram a surgir em numerosos cidades do interior.

Atualmente há claros sinais de declínio das escolas de samba em São luis, ao mesmo tempo em que se vai impondo uma volta ás tradições carnavalescas da terra, que compre-endem blocos, tribos e outros grupos que associam ao carnaval, manifestações populares locais.

Em compensação, porém São Luís aderiu á moda nacional do carnaval fora de época. É a Marafolia, que se realiza durante três dias da segunda quinzena de outubro, reunindo milhares de foliões na Avenida Litorânea, em extenso espaço dotado de amplos estacionamentos, segurança eficiente e facilidade de movimentação.

Hoje são outras as celebrações alusivas á época natalina. Pois a cultura, expres-são dinâmica da vida e espelho tridimensional do que, no povo, corresponde às exteriorizações de sua vitalidade, recicla-se permanentemente, ajustando-se ao fluir do tempo, em sua marcha recria-dora. Entretanto permanece a mesma a alma lúdica do nosso povo, representada por suas danças, seus festejos, suas inúmeras "brincadeiras".

No carnaval, já não existem cordões, cursos, entrudos, assaltos, baralhos, batalhas de flores e de confetes. E quase se extinguiram as figuras do cruz-diabo, do urso, do dominó, da colombina, do pierrô e do fofão, embora caiba aqui registrar o auspicioso movimento que, sob a liderança da Associação Maranhense de Blocos Carnavalescos, e com o entusiástico apoio da Fundação de Cultura, Desporto e Turismo da prefeitura, presentemente (l994-5) busca reviver os antigos carnavais maranhenses, com ênfase especial para as manifestações de rua.

A casinha da Roça vive seus últimos e agonizantes dias. Os clubes populares , onde as mulheres só dançavam mascaradas, são coisas do passado, embora recente. Gozaram de grande popularidade e são lembranças pela qual muitos suspiram, os nossos bailes de máscara.

Na última passagem do século havia, em São Luís, numerosas agremiações carna-valescas. E muitas eram organizadas com base em vínculos familiares ou em relações de amizade de seus principais dirigentes.

Cavalhadas, congadas, fandangos, cheganças e mascaradas, tivemo-los durante o período colonial, mas todas essas manifestações populares se foram esmaecendo, com o passar do tempo, até desapareceram completamente ou perderam suas características, por força de profunda transmutação. Do carimbó, que se firmou no Pará, diz-se que primeiramente surgiu no Maranhão; a capoeira, hoje marca registrada da Bahia, aqui floresceu, mas sem viço bastante para consolidar-se

De época mais recentes, apesar de virtualmente desaparecidas, são tambor-de-taboca, lindô, caminha-verde, guará, cabeça-de-bagre e as festas do pujante ciclo natalino: filhas de Belém, de jerusalém ou de judá, pastorinhas, pastores, reis, lapinhas, presépios, queimação de palhinhas.

Mas o cacuriá, que durante anos hibernou, como se morto estivesse, voltou para ficar, estuante de graça e de vigor.

O tambor-de-crioula e o tambor-de-mina sempre tiveram presença afirmativa com símbolo e núcleo de resistência, ao ritmo propiciatório de pulgas e saracoteios.

A um grupo longa e frutuosamente gestado no ventre das mais legítimas tradições da cultura popular maranhense, e definitivamente nascido para o mundo no ano da graça de 1985, deve-se considerável parcela da revitalização de nosso folclore, que de então até hoje se processa, através de grupos parafolclóricos organizados por estabelecimentos educacionais, por associação de moradores e também por  pessoas que se relacionam  em função de trabalho, amizade ou vizinhança, cabendo registrar quanto, para tal florescimento e porfias motivadas por dissidências

Essa apropriação " Letrada " da temática popular tem operado a crescente ascen-são social de nossas " brincadeiras ", tanto no plano dos que as apreciam e aplaudem, quanto no que respeita aos que as promovem ou delas diretamente participam. A temática popular é fonte generosa e inesgotável para as artes plásticas, o teatro, a dança e a música. Esta, das mais pu-jantes e vigorosas, entre as representativas das diversas regiões brasileiras.

O grupo surgido em 1985 é o reunido em torno do Boizinho Barrica, depois consoli-dado na Companhia Barrica Teatro de Rua, responsável por muitas pesquisas das raízes de nossa cultura popular, e ainda pelo aparecimento de outros grupos, a exemplo do Bicho-Terra.

O Barrica deveria chamar-se Boizinho Tonel, homenagem evocativa da "brincadei-ra"  que Sapinho, em tempos idos, fazia incorporar, no carnaval, como apêndice faceto do Bloco Cruzeiro, da Madre Deus. Mas terminou batizado por boizinho Barrica, em razão de seu tamanho e de seu feitio. Fato que, no campo semântico, não fez diferença.

Oportuno advertir que o Barrica, sendo boizinho, não é bumba-meu-boi, no sentido que este possui, nos terreiros de su lúdico reinado. O Barrica, embora vinculado ás mais autênticas raízes, conta, canta e encanta com o requinte da poesia elaborada, da melodia artisticamente composta e das vozes educadas e bonitas. Suas contagiantes apresentações estilizam os quatros sotaques do boi, o Divino Espirito santo, o coco, a chegança, o lelê, o tambor de crioula e por ai vai. E viajam de Tainahakã, a estrela-bailarina já ás vésperas de tornar-se o centro de uma constela-ção, pois o nascimento da estrela-Menina é disso prenúncio. E aqui na terra começou a constituir progênie, como bem o atestam o bicho-terra, das entranhas e do barrica nascido, e as crianças que, no Reino Lúcido da Madre Deus, organizaram o Barriquinhas, que muito já de belezas sabe, e ainda bem mais promete.

Indispensável dizer que o Boizinho Barrica é do mundo, do Maranhão, de São Luís e, sobretudo, da Madre Deus

Este panorama ficaria injustificavelmente incompleto se não fizesse breves, mas indispensáveis referências.

Aos grupos de jovens que, com o apoio do departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão, pesquisaram e reconstituíram diversas manifestações de nossa cultura popular, trabalho de que resultaram numerosas estudos monográficos (alguns deles publicados em livros), espetáculos de teatro e de dança, produção de filmes, documentários foto-gráficos e folhetos de divulgação.

O mesmo se diga do Laborarte-laboratório de Expressões Artísticas, surgindo nos anos 70, sob licença de Tácito Borralho, e ainda hoje em plena e positiva atividade, dirigido por Nelson Brito.

Américo Azevedo Neto, homem de letras, profundo conhecedor de nossa cultura popular; autor do melhor livro sobre bumba-meu-boi e operoso promotor cultural, responde pela criação de um belíssimo espetáculo denominado Cazumbá.

Não seria justo esquecer que D. Zelinda Lima é, neste vastíssimo campo, figura da maior importância, pela extensa folha de beneméritos serviços prestados.

E que José Sarney, sendo governador do Estado (1966-70), mandou abrir o Palácio dos Leões para que lá dançasse o boi, que não fez cerimônia em gingas e faceirices, qual se estivesse no mais conhecido e familiar de seus terreiros.

O reggae, de procedência jamaicana, aportou em São Luís munido de potentes âncoras e clara decisão de permanência. Por motivos geográficos e também etnográficos, são grandes as semelhanças e aproximações culturais entre a Ilha de São Luís e as do Caribe. Por isso, não é de hoje aqui têm ou tiveram grande aceitação os ritmos tipicamente caribenhos, de marcante influência, a exemplo do mambo, da salsa, do merengue e da lambada. Tendência acen-tuada crescentemente com o advento da radiola, uma central de som cada vez, mais potente, e em torno da qual passaram a ser realizados os grandes bailes populares.

No final dos 70 começaram a ser tocados aqui os primeiros discos de reggae. Mas data da década seguinte a definitiva incorporação desse ritmo ao universo festivo da Cidade. Por enquanto o reggae reina na periferia e tem por adeptos  principais os negros. São, porém, plenas as possibilidades de ele fazer o percurso de outras manifestações da cultura popular. Já conquistou espaços cativos nas programações radiofônicas, domina corações e mentes, conta com facções e torcidas fiéis. E assumiu seu quê de maranhensidade, graças aos ares bons da terra, que nele crescem.

E se aprofundam, na mesma proporção em que ocorre progressivo distanciamento da matriz jamaicana. Em face disso, passou a ser correto falar em reggae jamaicano e reggae são-luisense.

Porque enquanto na jamaica a evolução já está para lá do reggae pop, que deixou para trás o período de que são expoentes máximos Bob Marley, Jimmy Cliff e Peter Tosh, em São Luís predomina o reggae root, o reggae de raiz.

Aqui a numerosa massa regueira tem preferências radicais por determinadas "pedradas", e as curte simplesmente ouvindo ou dançando agarradinho.

"Pedradas" ou "tijoladas" que se tornaram patrimônio dos donos de clube que as lançam no ar com exclusividade vidicativa, que compram todo o estoque de suas raras gravações, para que aventureiros delas não lancem mão, e que, segundo as semelhanças fonéticas de seus títulos em inglês ou a "feição"melódica, rebatizam-nas com nomes muito nossos, que podem ser Melô da Maioba ou Maracanã; Melô do Arrastão ou do Negão. 

Promovem-se anualmente em São Luís festivais de Poesia, de Corais, de Música Popular Maranhense e do Curió, feiras de plantas e de livros, exposições agropecuárias, festas grandes em centenas de terreiros, nas Casas de Nagô e das Minas, semanas do negro, do índio, do folclore e de quanto mais se imagine.

Havendo disposição e coincidência de calendário, vai-se daqui para os festejos de São Benedito e do Divino Espirito Santo, em Alcântara para os bailes de São Gonçalo, nas cidades da Baixada, para o festival  da Melancia em Arari, para as festas natalinas de Guimarães e para os festivais de peixe de Viana e Penalva.

Festas religiosas ou de largo, ainda temos por principais as de São Benedito, de Santo Antônio, da Conceição, de Santa Severa e dos Remédios. As três primeiras dão procissões, a que devem ser somadas as da Quaresma: do Encontro e do Senhor Morto. Nada, porém, que de longe se compare com a animação do século XIX, época de procissões concorridas, enchendo as ruas de músicas, foguetes e paramentos vistosos, e de largos enbandeirados, repletos de tabulei-ros, barracas, novidades oferecidas por vendedores ambulantes, jogos de sorte ou de azar, arros-séis, leilões, enfim uma extensa lista de tentações e apelos ao mar de gente que lotava as igrejas para novenas, ladainhas e sermões, e que, por ser demais da conta ou de menos na contrição, espraiava-se, numerosíssima, em toda a vastidão  a vastidão do "sereno" animado por bandas de música, e alegremente colorido de luminárias, fogos de artifício e balões subindo aos céus.

O primeiro almanaque que circulou em São Luís, para o ano de 1848, relaciona 20 procissões e 47 festas de igreja na Cidade. Uma delas, a dos Remédios, certamente das concorri-das e bonitas, inspirou diversos cronistas, a exemplo de César Marques, Trajano Galvão, Graça Aranha, Aluísio Azevedo e João Francisco Lisboa. Este último publicou um folhetim em que descre-ve com muita graça a festa de 1851.

Do bairro dos Remédios, a antiga do Ponta do Romeu, banhado pelo Rio Anil, passemos ao extremo oposto da Cidade de então, onde, alçada a miradouro do Rio Bacanga, ficava a Ponta de Santo Amaro, que originou o núcleo da Madre de Deus (topônimo de que o povo tirou a preposição dissonante), nascido nobre por suas funções de centro educacional, convento dos jesuítas e palácio de governadores de vilegiatura, e que nobreza de muito maior monta conti-nua, pela insuperável legitimação popular que lhe confere privilégios de república das nossas mais fortes tradições culturais, a república de que muito nos orgulhamos.

O capítulo merecido que, por não vir aqui, é  dívida contraída para eventual paga-mento futuro, diz respeito a esse território lúdico vasto e autônomo, a cuja ufania por fatos e feitos notáveis, assiste inteira razão.

Com seus poetas, compositores, cantadores, repentistas, artesãos, artistas, anima-dores e figurantes, a Madre Deus alegra São João, pela força de um dos melhores bois da Ilha, e agita o carnaval, através da Turma do Quinto, useira e vezeira em brilhos muito particulares, sam-bas-enredo inesquecíveis, grandes vitórias morais e inevitáveis supercampeonatos.

Pode-se traçar a delimitação física da madre deus, hoje com área bem superior à da primitiva Ponta de Santo Amaro, mas é tarefa baldada intentá-lo no plano de sua vastidão senti-mental, espraiada por tudo quanto é conjunto habitacional, bairro novo, palafita, invasão e o que mais sirva, nesta cidade, para seres humanos morarem ou vegetarem.

Nos dias festivos, descem, isolados ou em grupos, as gentes de endereços muito vários, uns curiosos, inusitados outros, porém com destino comum: a Madre Deus, sublime Mãe Senhora, hoje exaltada por seus poetas, ontem reverenciada por Silva Serrão e Constantino de Sá, como esplendor e aurora da vida.

É entendimento muito acertado o de que o gasto maranhense pelas festas e sua contagiante vocação lúdica estão vivos. E podem ser comprovados através do largo painel que, ao longo do ano, retrata nossa alma alegre, que removeu lindes e estinguiu balizamentos entre sagra-do e profano, por entendê-los distinções descabidas e limitadoras.

O tempo forte, de entusiasmo coletivo, que toma a Cidade inteira, é junho, do princípio ao fim: das festas de Santo Antônio, o casamenteiro, até São Pedro, em cuja honra faz-se grande e colorida procissão marítima.

São João, com seu carneirinho, domina, absoluto, como patrono de largos, arraiais, quadrilhas, cocos, tambor-de-crioula e de-mina, mas principalmente do bumba-meu-boi, que após meses de ensaios e logo em seguida ao ensaio-redondo, é benzido em ladainha de latim estropia-do, diante de inquieta platéia, presentes o santo e a cachaça, os padrinhos, a rezadeira e seu raminho de arruda ou galho de vassourinha, na noite de 23.

Essa noite mágica, de muitos fogos e emocionantes brilhos, transforma a Cidade em território livre de centenas de fogueiras, e alarga seus limites até onde o mar consente.

Então já não se há de falar em São Luis, mas na Ilha, que de todas as suas estra-das, veredas e caminhos  desce o boi, venha de São José de Ribamar, da maioba, da Mata ou de maracanã.

De outras cidades e povoações  do interior do Estado também chegam bois para brincar, mas geralmente depois de 23, que a primeira obrigação é com os lugares de origem, pá-trias de suas existências, onde nascem e obrigatoriamente morrem.

Segundo seja o sotaque do boi, varia tudo quanto a ele diz respeito: o ritmo, os instrumentos, a indumentária, a linha melódica, os figurantes e até o porte e a feição dos novilhos. Quem conhece boi, sabe, de longe, qual é o seu sotaque, o seu estilo -  se de matraca ou da Ilha, se de zabumba, se de orquestra, se de Pindaré.

Beleza dos sons de zabumbas, pandeiros, pandeirões, dos maracás e matracas, beleza da poesia das toadas, beleza das gingas do boi - pois também elas diferem conforme o sotaque - e de sua guarnição policrômica, os brincantes trajados a caráter, com seus chapéus coloridos e seus peitorais reluzentes, mas a nação dos paisanos e mutucas, gente de grande importância e serventia.

Em junho, largos, ruas, travessas, becos e avenidas viram terreiros. Enfeitam-se de bandeirinhas, palmeiras de ariri, barracas e fogueiras. E reservam o espaço necessário e cativo para que o boi venha dançar. Para que instaure a alegria contagiante com sua chegada, ao som do Lá Vai, e a todos castigue de saudade, na partida, cantando o Adeus:

Bois de verdade, que brincam a sério, têm obrigações muito suas, porque ins-transferíveis. E  que são cumpridas com a alegria de quem não as distingue da devoção. Obras da ação miraculosa de São João, nascidos de promessas a ele ou do expresso desejo de homenageá-lo, os bois também se reconhecem devotos de São Pedro e São Marçal, a quem são particular-mente obrigados.

Por isso, na data do santo pescador, e desde bem antes que o novo dia acenda, no horizonte sua crescente fogueira de luzes e cores, dezenas de policrômicos batalhões demandam o terreiro de São Pedro, em volta de sua capelinha, na Madre Deus. É  um  espetáculo de beleza indescritível, esse dos bois chegando para dançar em honra de São Pedro. E do qual uma assis-tência que se conta por milhares participa, lotando o anfiteatro natural constituido pelo promontório de onde se mira e admira o boi lá  embaixo e o povão que o segue, também dançando.

Ao amanhecer do dia seguinte, consagrado a São Marçal, um desfile que muda a rota dos veículos e se matém até perto do anoitecer, faz do bairro do João Paulo a maior concen-tração dos bois de matraca. Que bricam, mas entre si porfiam, como se revivessem, agora em termos amistosos, os antigos e violentos confrontos dos " contrários ".

Um dia que não vai longe, o boi se  encanta, vira saudade, lágrimas rolam, nasce a esperança; no ano seguinte, em prazo certo, com novos brilhos e a mesma ginga, volta ao terreiro, encanta e dança, que seu destino assim se cumpre, por mandamento de São João.

Museus:

O que acontece, foi registrado e está guardado. A fundação de São Luís as batalhas entre portugueses, holandeses, franceses pela colonização da Ilha Grande - Upaon Açu no dialeto dos índios. A influencia da Igreja no período colonial. A herança dos negros. Toda a historia está  guardada nos museus e não somente na memória do povo que sabe manter viva as tradições. O que ficou do passado, dos séculos, pode ser visitado nos museus históricos, de artes sacras e de bens culturais. A historia recente da republica brasileira é preservada em acervos de livros, peças raras e documentos de valor histórico e político incontestáveis.

O museu da memória republicana está instalado no convento das mercês uma construção do período colonial que abriga importantes eventos que vão desde congressos e seminários até exposições artísticas, como a Coletivas de Maio, uma importante mostra da atual produção das artes plásticas do Maranhão e do nordeste.

- Histórico

- Memória Republicana

- Artes Sacras

- Artes visuais  

Monumentos Históricos:

Fontes:

Muitos são os que louvaram sem reservas a pureza e abundância de nossas águas. Entre eles Claude d'Abbeville, admirado de quanto eram saudáveis e boas, e Simão Estácio da Silveira, que além de achá-las puras e claras, atestou-lhes propriedades medicinais de grande eficácia contra febres, "destemperamentos e outras doenças".

A existência de fontes na Cidade está ligada ao abastecimento da população. Muitas casas tinham poços particulares. Alguns se prestavam a serventia de dois ou mais vizinhos. Mesmo assim havia necessidade de outros meios de suprimento. Precisava-se de água para abastecer as embarcações, para construir e para atender a inúmeras necessidades públicas e particulares. Onde havia boas nascentes foram surgindo as fontes públicas.

Muitas fontes já não existem, como a do Mamoim, construída em 1796, no Campo de Ourique, a do Açougue, perto do Mercado Velho e da Fonte das Pedras, e a do Apicum, antiga da Quinta, por ficar nos fundos da Quinta das Laranjeiras. Mas São Luís ainda conserva algumas fontes, como as seguintes:

Fonte do Bispo

Data do século XVII. Localiza-se no fim da Rua das Crioulas, e se resume hoje, a um poço arruinado, sem proteção nem, ao que conste, plano algum de oferecê-la a essa nascente de considerável importância histórica, pelo que lembra de nossos costumes coloniais.

Tem a ver tal fonte com o bispo Dom Frei Timóteo do Sacramento, terceiro titular da Diocese do Maranhão, a cuja frente esteve de 1691 a 1700. De gênio desabusado e intolerante, D. Fr. Timóteo iniciou, em 1697, uma visita geral a seu rebanho, de que resultaram muitos processos seguidos de multas, prisões e deportações, pois seu inflexível zelo não deixava sem penas severíssimas a lassidão dos costumes, notadamente a lascívia e o concubinato.

A tanto foi aqui conturbado o sossego dos povos, por essa geral reprimenda, que D. Fr. Timóteo, em acerba luta com as autoridades civis e eclesiásticas envolvidas no desarmamento dos espíritos, acabou excomungando o Ouvidor-Geral Mateus Dias da Costa, o Capitão-Mor João Duarte, o Comissário da Província de Santo Antônio, o Prior do Carmo, os Ministros do Juízo da Coroa e, por fim, a própria Cidade, sobre a qual lançou excomunhão geral e local. Excomungou também Frei Manuel de São Boaventura, embora este, com a autoridade de conservador apostólico - portanto, delegado do papa - ,já houvesse, com bastante senso de oportunidade, feito o mesmo ao bispo.

Posto sob temporalidades, D. Fr. Timóteo teve seu palácio (que era no Largo de São Tiago) cercado de soldados, com ordens expressas para não lhe permitirem sair e também receber visitas. Ao cabo de poucos dias, já não se poderia dizer que estivesse o prelado a pão e água, pois ambos lhe faltavam absolutamente. Deu-se então que, cedendo a seus rogos e à sua força moral, os soldados não tiveram ânimo para impedir que o bispo fosse, com duas quartinhas às mãos, enchê-las de água na fonte, onde se desdentou, e à qual deu o nome que até hoje perdura, evocativo desse turbulento governo episcopal.

Fonte das Pedras

A 31 de outubro de 1615 Jerônimo de Albuquerque, na memorável luta pela expulsão dos franceses, acampou com suas tropas - cumprindo ordens de Alexandre de Moura - junto à nascente que também iria servir de suprimento aos holandeses, quando injustamente possuíram a Cidade (1641 -43), no dizer do Padre José de Moraes. Ainda conforme esse cronista, coube aos prepostos de Nassau a primeira construção da fonte, obra "excelente e bem fundada".

De frente para a Rua de São João e ladeada pelos aclives que iniciam as ruas do Mocambo e da Inveja, a Fonte das Pedras é um quadrilátero murado, cujos fundos confrontam com os da antiga Fábrica Santa Amélia. Aí estão suas nascentes, canalizadas para vertedouros sob a forma de carrancas.

A Fonte das Pedras é um espaço amplo, arborizado e com alguns bancos simples, mas aprazíveis. Não tem recebido o tratamento que merece do Poder Público, embora alguns de seus mandatários hajam timbrado em atulhá-la com placas de bronze, comemorativas de qualquer criação ou pequeno reparo que lhe mandam fazer, mais como pretexto para ali deixarem seus  nomes, que por zelo e empenho na preservação de nossos monumentos históricos.

Nenhuma placa, entretanto, alude aos nomes do Governador Silveira e do Coronel-Engenheiro Pereira do Lago, o ordenador e o executor das obras que deram à Fonte das Pedras            as características que ainda hoje tem: frontão de alvenaria, calçamento, galerias subterrâneas, bicas e carrancas. Tudo no melhor estilo colonial português, como indicado logo no portão de entrada, por um escudo de bronze com as lusitaníssimas cinco quinas.

Fonte do Ribeirão

Entre as ruas do Ribeirão, das Barrocas e dos Afogados, está a Fonte do Ribeirão, mandada construir em 1796, por D. Fernando Antônio de Noronha (1792-8), governador e capitão-general que deixou, na crônica administrativa do período colonial, a má fama de "néscio, estúpido e pedante", como o classificou César Marques.

Parece que desde sua construção, essa fonte foi concebida com as dimensões e acabamento de hoje. Um expediente do Capitão José Luís da Rocha, datado de 13/08/1796, informa que a obra estava adiantada, sendo necessários cerca de um conto e duzentos mil réis para concluí-la, tendo em vista o pagamento de operários e a compra de cal, tijolos, canos, pedras de cantaria, carrancas, etc.

Situada num pequeno largo, a Fonte do Ribeirão é protegida por murada quadrangular. Seu frontispício, ladeado por duas pilastras encimadas por coruchéus e ornadas com frisos, tem apoio no entablamento em que se vêem símbolos pagãos e cristãos. No topo uma estátua de Netuno, que após criminosas mutilações, foi totalmente destruída na noite de 9 de abril de 1995. Abaixo, três janelas com grades de ferro, que dão acesso às galerias. Um pouco acima do piso revestido de pedras de cantaria, cinco carrancas esculpidas em pedra, com biqueiras de bronze, de onde jorram as águas no tanque lajeado, em forma de T, e que escoam através de galerias subterrâneas, no sentido da antiga Praia do Caju.

Ligam-se à Fonte do Ribeirão várias lendas e crendices populares, entre as quais a de uma serpente formidável, cuja cauda vai ter à altura da Igreja de São Pantaleão, e a da existência de subterrâneos com pontos terminais junto aos púlpitos de diversas igrejas, o que permitiria, por exemplo, que os padres terminassem no Carmo um sermão iniciado em Santo Antônio ou no Desterro, ou ainda que, com a proteção clerical, prosperassem contrabandos, tráfico negreiro e outros negócios escusos.

Habitação:

Nosso jeito de morar

Entre fins do século XVIII e inícios do século XIX, São Luís faz notáveis progressos urbanísticos. As ruas são pavimentadas, ajardinam-se e arborizam-se os largos, e as fontes recebem cuidados que não se restringem à função utilitária, porque igualmente compreendem objetivos ornamentais.

O empresariado rural enriquecido e o comércio urbano florescente permitem que o gosto de bem morar combine comodidade com beleza e requinte. Usa-se aqui a última moda dos grandes centros europeus. Pratica-se no decorrer do século XIX, um estilo de vida faustosa e opulenta, que só entraria em franco declínio a contar da década de 70, encerrando-se definitivamente com a abolição da escravatura.

Nesse período de esplendor da vida  são-luisense, as lojas de moda crescem em número, variedade e sofisticação de seus sortimentos, conforme se verifica pelos anúncios de jornal. Em 1863, uma propaganda da firma Cunha Machado & Braga, instalada na Rua de Nazaré, além de extensa seção de perfumaria, anunciava os seguintes artigos: anáguas com bonitos bordados; ditas à balão, com 30 arcos; cortes de lã e seda com bonitas barras e lindas cores; ditos de gaze matizados, com 20 côvados; cintos de seda elásticos; ditos dourados com bonitas fivelas; enfeites de froco e de seda para cabeça; ditos para dentro de chapéus; luvas de pelica branca para homens e senhoras; ditas de seda lisa branca e de cores; botinas para senhoras e para homens; borzeguim para meninos; chapéus de palha da Itália - à Maria Pia - para senhora; ditos de pêlo preto finos para homem; ditos do Chile; bengalas de unicorne.

Também era comum trazerem os jornais anúncios de modistas, retratistas, cabeleireiros, relojoeiros, arquitetos e ourives, geralmente de nacionalidade francesa, italiana ou portuguesa.

É natural que nesse ambiente de refinamento São Luís haja conhecido uma fase de grande expansão física e de marcante melhoria de suas construções. Em menos de meio século - de 1808 a 1856 - o número de habitações cresceu de 1.553 para 2.764, ao mesmo tempo em que as casas de palha diminuíram de 300 para 144. A esse período correspondem volumosas importações de azulejos, de soleiras e portais de cantaria, assim como o florescimento de mercado de trabalho para profissionais especializados em construção civil, cujas tarefas mais árduas cabiam aos escravos.

Basta observar atentamente a parte antiga da Cidade, para avaliar  a grandeza de seu passado. Sobrados majestosos e amplas mansões que hoje nem sempre se mantêm concordes com a destinação que lhes traçaram seus primitivos proprietários, são um testemunho vivo e às vezes pungente da São Luís de nossos avós.

Vejam-se, a propósito, os sobrados das ruas da Palma, do Giz e das respectivas travessas, no trecho próximo ao Desterro. Vejam-se também, aqui e ali, vastos cortiços identificáveis pelo aspecto externo: vasos de flores na janela, roupas e outras peças estendidas ao sol, além da carência de pintura e de outros cuidados.

Mas nem tudo, aqui, são sobrados de azulejos, com beirais de faiança, mirantes graciosos e elegantes balcões rendilhados, nos quais se lêem monogramas bonitos e datas já bastante recuadas no tempo, aqueles e estas, gravados em pedra de cantaria ou moldados a ferro batido.

Os habitantes menos abastados, que não podiam dar-se a esses luxos, encontraram outras soluções para o gosto da boa moradia, que é, sem dúvida, uma característica são-luisense de que  jamais houve abdicação.

Têm, certamente, relação direta com o poder aquisitivo de seus moradores (proprietários ou inquilinos) os diversos padrões de casas com apenas um pavimento - não raro acrescido de um subsolo que aproveita o desnível do terreno - que se foram agrupando, segundo a fachada, a área construída e a divisão interna, nestes quatro padrões básicos: porta-e-janela, meia-morada, morada-inteira e morada-e-meia.

Por gentileza especial de Dora Alcântara, seguem-se as representações paradigmáticas de tais modelos, com as respectivas legendas, originalmente reproduzidas em seu primoroso Azulejos portugueses em São Luís do Maranhão, (Rio, Fontana, 1980), livro de consulta obrigatória para quem deseja conhecer melhor a arquitetura civil da Cidade.

Mas se nem tudo, em São Luís, são sobrados e azulejos, nossa, muito nossa, é a forte preferência por esse elemento ornamental e utilitário que se ergue nas fachadas, como inexorável marca registrada do jeito maranhense de morar: com bom-gosto e comodidade.

Vem daí que as ampliações e reformas de casas populares dos conjuntos habitacionais, a construção de mansões em núcleos residenciais elegantes e os melhoramentos de casas nos bairros pobres, sempre incluem o revestimento total ou parcial com azulejo - painel rútilo e colorido que reverbera ao sol, e oferece proteção contra infiltrações pluviais e estragos do salitre que sobrepaira nos ares desta ilha oceânica. O azulejo é, portanto, um traço característico de nosso jeito de morar.

Numerosos conjuntos habitacionais, porque expressivamente populosos, são, econômica e socialmente, bem mais importantes que a grande maioria das cidades do interior maranhense. Têm, praticamente, vida própria e reúnem, em suas diversas gradações, a mais numerosa parcela de nossa classe média.

Quem percorre São Luís, a subir e descer ladeiras, tem uma boa idéia do que seja a topografia da Cidade, apesar das inúmeras intervenções profundamente modificadoras que nela se operam, por iniciativa pública ou privada.

Às margens do Anil e do Bacanga, na seqüência de um semicírculo irregular que se configura no sentido de norte a sul, muradas e aterros em plano inferior ao das elevações do centro urbano  indicam que essas obras aumentaram significativamente a área útil, tanto pelo avanço em faixas primitivamente banhadas pelo mar, quanto pelo aterro de extensas porções de terras alagadas ou sujeitas à invasão das marés.

Tal planta inclui, quanto ao perímetro urbano de então, os seguintes logradouros públicos: Largos de Palácio, de João do Vale (atual Praça Benedito Leite), do Carmo, de Santo Antônio, de São João, do Açougue (ficava do mesmo lado e logo depois da atual sede do IPEM - Avenida Magalhães de Almeida), do Quartel (Praça Deodoro), das Mercês (posteriormente ocupado pelo muro erguido em frente), Praia Grande e Praça da Alegria. Entre as 18 igrejas e capelas que menciona, desapareceram as de S'Antaninha, Mercês, Conceição, Barraquinhas, São Tiago, Madre de Deus e a capela da Cadeia.

A expansão urbana de São Luís tem sido realizada, em grande parte, sob a forma de ocupação de terras firmes e manguezais. A princípio ocorria um crescimento vegetativo, que comportava posteriores providências de arruamento e de pavimentação.

Com fins de urbanização e embelezamento, o Governo estimulou, em diversas ocasiões, a conquista de terrenos ao mar, com os aterros que iam abrindo perspectivas de crescimento à Cidade.

Igrejas e Capelas:

Quem observa o  conjunto arquitetônico do centro histórico da São Luís tradicional e isola, para fins comparativos, a construção civil da religiosa, a primeira coisa que descobre é, com certeza, a situação de evidente desvantagem das igrejas, em face das construções residenciais.

Trata-se de constatação inusitada, pois serão raros os casos de cidades brasileiras que nos possibilitem a mesma conclusão.

Fala-se que, entre os maranhenses, o sentimento de religiosidade nunca foi generalizado e ardente. É possível que a observação do nosso patrimônio edificado reforce tal avaliação.

Em São Luís, outras são as emoções: a pirâmide que indica o provável local (Praia do Armazém, posteriormente chamada da Trindade) do enforcamento, a 10 de novembro de 1685, de Manoel Beckman, o Bequimão, e de seu companheiro de insurreição, Jorge de Sampaio de Carvalho; o modesto monumento do Outeiro da Cruz, evocativo da batalha final em que derrotamos os invasores holandeses; as igrejas onde pregou o Padre Antônio Vieira; as nascentes perto das quais Jerônimo de Albuquerque acampou com suas tropas; o sobrado de azulejos brancos e azuis (Rua do Sol, 567), em cujo mirante Aluísio de Azevedo escreveu O mulato; o sobrado (Rua da Paz, 107), então sediando nos baixos a Casa Trasmontana, onde Humberto de Campos trabalhou como caixeiro. Ali, o futuro escritor conheceu Sousândrade, que, já no acaso da vida, empobrecido e abandonado pela mulher e filha, ia fazer compras: "uma lata de aspargo, um pouco de queijo, sardinhas de Nantes, e tâmaras ou ameixas", pequeno, mas requintado farnel que um empregado levava à casa do poeta d´Guesa, na Quinta Vitória. E que ele, "semanas depois, vinha pagar, com as cédulas miúdas e os níqueis rigorosamente contados" (Memórias inacabadas), produto da venda de mais alguns metros cúbicos de pedras dos muros de sua vivenda, com o que ia destruindo-a. Mas também com o que ia escapando de morrer à míngua, e ainda respondia de maneira irônico-figurada às perguntas sobre como estava passando: - Muito bem, obrigado; comendo pedras. Finalmente, por impossibilidade de exaurir o assunto, a Igreja de São João, construída em 1665, a expensas do governador Rui Vaz de Siqueira (1662-7), como penitência pelo pecado aqui cometido com uma bela " socialite" de então.

Admira, nesse templo, não a imponência nem a beleza arquitetônica, mas seu curioso destino. Erigido para perdão de pecados, século e meio depois iria cobrir-se deles e de opróbrio, ao conceder sepultura ao Coronel de Milícias Joaquim Silvério dos Reis Montenegro, o delator da Inconfidência Mineira, aqui chegado em 11 de outubro de 1809, e falecido a 17 de fevereiro de 1819.

MONUMENTOS E INSTITUIÇÕES NOTÁVEIS

                        A depender dos parâmetros utilizados para a observação de nossos monumentos e de nossas instituições, pode-se concluir que eles e elas são notáveis ou desimportantes . De fato, São Luís não tem monumentos que, medidos por uma escala mais geral, mereçam a classificação de notáveis. E talvez porque disso a Cidade não precisa, já que ela própria, em alma e azulejo, em ladeiras e beirais, é o maior e mais importante momento que aqui se pode admirar.

                        É com tal compreensão que a seguir se faz a sumária apresentação de bustos, estátuas e marcos da cidade, assim também, de algumas instituições. Uns outros, notáveis e muito importantes, pelo que representam e sintetizam de nossa história, de nossas tradições, lutas e vitórias, de nossa vida, afinal.

Convento de São Francisco

O primeiro de nossos conventos - o de São Francisco, situado nas proximidades da Igreja da Sé - teve duração pouco maior que a da permanência, aqui, dos capuchinhos franceses, seus instituidores.

 

Monumentos e Instituições Notáveis:

Outeiro da  Cruz

Monumento evocativo da expulsão dos holandeses, onde uma inscrição relembra:

A TRADIÇÃO POPULAR CONSAGROU ESTE/ MONUMENTO À MEMÓRIA DOS BRAVOS QUE, / AO MANDO DE MONIZ BARREIROS E / TEIXEIRA DE MELLO EXPULSARAM / OS HOLANDEZES DA CAPITANIA. 30-IX-1642 / 21-IX-1642 / 26-I-1643 / 28-II-1644.

Pedra da Memória

Monumento erguido no campo de Ourique, em 1841, comemorativo da Coroação D. Pedro II. Tem , abertas em relevo, numa das faces da pirâmide de que o encima, as armas do império. E, no pedestal, esta inscrições: Á MEMORIA DA / COROAÇÃO DE S.M.I. / O S. D. P.2º I . C. E. P. D. DO B. / ERIGEM ESTE MONUMENTO / OS MENBROS DO EXERCITO/ QUE NA PROVINCIA ESTÃO / SENDO PRESIDENTE / O ILL.MO S. R DOUTOR JOÃO ANTONIO DE MIRANDA / 18 E 41 / COM. ME DAS ARMAS O ILL.MO S. R CORONEL FRANCISCO JOZE MARTINS. / 1841. Na face oposta do pedestal, uma placa de bronze diz: RESTAURADOR A 10-4-50 / GOVERNADOR SEBASTIÃO ARCHER / DA SILVA / PREFEITO / ANTÔNIO E. DA COSTA RODRIGUES.

Depois da demolição do quartel e do completo abandono em que ficou o campo de ourique, esse monumento, hoje numas das meias-laranjas, do cais da sagração, foi desmontado e quase tomava descaminho não fosse a diligência do escritor Joaquim Luz (Matões-MA, 17/12/1893 - Rio de Janeiro, 1º/07/1950), em que se empenhou por sua instalação local em que atualmente se encontra.

Obs.: As armas do império e a inscrição aberta a cinzel, estão de frente para o mar. Ainda sob a inscrição original: o registro duplo do ano - 1841 - indica que o nome do comandante das Armas foi incluído posteriormente. Sobretudo porque a primeira data, que deveria encerrar a inscrição, foi desajeitadamente introduzida e aditiva. E.

Pirâmide de Bequimão

Obelisco evocativo do sacrifício de Manoel Beckman o Bequimão, líder principal da revolta de 1684. Inaugurado a 28/07/1910, no parque Urbano Santos, antigamente chamado Praia do Armazém  e depois Praia da Trindade, e provável local em que Bequimão e seu companheiro Jorge de Sampaio foram enforcados a 10/11/1685.

Memorial Bandeira Tribuzzi

Na praia da Ponta d´Areia, construído no Governo Luís Rocha, deveria reunir acervo do poeta, servir de espaço para cursos, seminários e exposições temporárias. Abandonado, até hoje não teve utilização alguma.

Pelo  quatro cantos da cidade há estátuas e pirâmides feitas e mandadas fazer de  alma em festa, mas todas de funestos resultados estéticos. As primeiras representam a Mãe d'Água, São Francisco, São Cristóvão, Bequimão, Jerônimo de Albuquerque, o pescador, o trabalhador urbano, enfim - deuses, santos, guerreiros e heróis  do cotidiano. As segundas não se sabe bem o que representa. À frente do conjunto Newton Bello, no bairro Alemanha, havia uma estátua do ex-governante maranhense, aberração que não mais ali se encontra no momento deste registro. Que jamais retorne, enquanto empenhadamente recomenda o serviço de profilaxia estética da cidade. E para dar um feixo bonito a estas notas, sejam lembrados  painéis e murais admiráveis que Antônio Almeida espalhou por espaços  externos e internos de São Luís, entre eles, no Posto Atlântico, do Sítio Veneza no Parque do Bom Menino,  na  Assembléia Legislativa  do Estado, na faixada de o Estado do Maranhão na residência do casal Cléa Alberto Salim Dualibe, na associação Comercial e no Edifício BEM. Alguns, nem por maltratados ou pintados espalhafatosamente, perderam, de todo, a beleza que Almeida lhes deu. Vale a pena admirá-los. Ás vezes causam pena. Mas sempre, também , dão muito gosto.

Cafua das Mercês

Rua Jacinto Maia (início), entre as ruas da Estrela e da Palma.  

Pequena construção que teria sido um entreposto do comércio negreiro. Possui uma réplica do pelourinho que havia no Largo do Carmo, além de peças relacionadas com a escravidão e com a cultura negra.  

Culinária

4.0 - São inúmeras e pelo comum laudatórias as referências que visitantes, cronistas e memorialistas fizeram, através dos tempos, à cozinha maranhense, conhecida como farta, variada e aliciante.

Tal como aconteceu, em maior ou menor grau, nas diversas regiões brasileiras, herdamos o gosto português pela boa comida, e o enriquecemos com os significativos contributos os proporcionaram indígenas e africanos.

Nossa arte de comer foi elaborado, ao longo dos séculos, receitas personalíssimas, pela apropriação de ingredientes regionais e modos de fazer gosto da terra. Daí ser correto,  desde há muito, falar nessa entidade autônoma, deliciosa e tentadora - a culinária maranhense, responsável pela fruição de grandes  prazeres, e pela incursão numa  escalada de pecados veniais que podem compreender a gula, a inveja, a intemperança, o furto ou o desejo da comida do próximo.

A par de  carnes em geral (inclusive as de caça, cada vez mais raras), nossa cozinha utiliza vasta quantidade e variedade de peixes e mariscos. Natural que assim aconteça, haja vista que na Ilha de São Luís, ainda hoje e pela graça de Deus, os frutos do mar são abundantes e diversificados, embora nada se pareça com os tempos de Aluísio de Azevedo, quando, da Praia de Santo Antônio, a Cidade inteira ouvia "uma buzina anunciando que os pescadores chegavam do mar; para lá convergiam, apressadas e cheias de interesse, as peixeiras, quase todas negras, muito gordas, o tabuleiro na cabeça, rebolando os grossos quadris trêmulos e as tetas opulentas". O registro antigo de mais de um século, está em O mulato, romance publicado em 1821.

Grande parcela da população de localidades da Ilha, como São José de Ribamar, Pau Deitado, Praias da Raposa e Panaquatira, Tibiri, Anjo da Guarda e mesmo bairros, a exemplo de São Francisco, Madre deus e Desterro, tem sua ocupação principal na pesca de peixe e camarão ou na extração de caranguejo, sururu, ostra e sarnambi. É verdade que a pesca artesanal está em fraco declínio, notadamente a praticada como atividade amadorística ou complementar da economia doméstica.

Mas aqui e ali vêem-se  tarrafeadores de água rasa solitários pescadores de ilha à beira-mar ou sobre as pontes, e ocupantes de pequenas embarcações que despescam tapajens, currais e espinhéis.

O abastecimento dos mercados, porém é feito graça a pescaria de alto mar, em barcos motorizados e segundo processos mais eficazes e de maior produção e produtividade.

Muito ligados à tradição portuguesa dos cozidos, guisados ou ensopados que aqui se abrasileiraram por arte e engenho de componentes afro-indígenas onde entram em linha de conta quiabo, jerimum, batata-doce, cará, inhame, macaxeira, tarioba, azeite de dendê, óleo e leite de coco-babaçu e, leite de coco-da-praia, fazemo-los de carnes, vísceras, peixe e mariscos. Igualmente tudo isso dá um sem-número de frituras e assados, com suas variações em torno do moqueado, da moqueca, do refogado e do escabeche.

Há cozidos particularmente apreciados, quais sejam os de rabada e de peito de gado vacum. Sarrabulho, mocotó, chambari (vocábulo que na forma letrada, chambaril, mestre Aurélio abona, mas não satisfatoriamente para o nosso caso) e tantos outros pratos, preparamo-los com alguma peculiaridade, mas sem a mínima pretensão de estarmos nos itens da iguarias típicas. Não obstante, considere-se a existência de uma peixada maranhense, a que não faltam calorosos elogios. O mesmo se diga das caldeiradas de camarão, em cujo preparo e não sem motivo, inúmeras casas desfrutam de grande reputação.

O arroz e a farinha-d'água ou de puba são  nossos condutos básicos, também chamados acompanhamentos. Mas ambos, em muitas circunstâncias, ascendem à categoria de prato principal ou quase. O primeiro, assim figura nos conhecidos arroz-de-toucinho, arroz-de-camarão, arroz-de-jaçanã e maria-isabel. A segunda, na multifaria da família das paçocas, farofas e pirões, chibés, tiquaras e mingaus.

Falar de tortas já corresponde a transpor o território da cozinha maranhense propriamente dita. Nada de confundi-las com mexidos, fritadas e frigideiras, que conhecemos e apreciamos, embora saibamos tratar-se de outra coisa. As tortas mais tipicamente maranhense são as de camarão (seco ou fresco), peixe seco (especialmente pescada, jabiraca e tainha), miúdos de galinha, sururu e caranguejo.

De um quelônio  chamado Jurará e a cada ano menos abundante nos campos da baixada maranhense, prepara-se casquinhos,  que são com os casquinhos e unhas de caranguejo, deliciosas iguarias, geralmente servidas como entrada.

Vatapá e caruru, figuram na exuberante e luxuriosa culinária baiana. Mas nós também os incorporamos à nossa, e não por simples cópia, que  nisso não haveria mérito. Demo-lhes tratamento especial, que estabeleceu distância considerável entre os de cá e os de lá. Quem só conhece o vatapá e o caruru da Bahia, precisa urgentemente tornar-se íntimo dos preparos no Maranhão. A comparação importa ser feita, para estabelecimento e proclamação de preferências.

O mais conhecido e característico prato maranhense é, com certeza, o cuxá, que se come com arroz branco e peixe frito, cabendo registrar o uso de torta de camarão como iguaria suscetânia ou concorrente do peixe frito. Outras combinações eventualmente adotadas não levam as bênçãos do ortodoxo ritual do cuxá, que termina no bem comê-lo, mas se inicia no correto modo de prepara-lo.

Quanto a esta fase preliminar, advirta-se que representa grave infração empregar certos ingrediente que alguns adotam e até prescrevem em receitas escritas.  Nada de louro, tomate, cheiro-verde, alho, cebola, cebolinha, coentro, quiabo e azeitona. Somente camarão seco, farinha-seca, gergelim, vinagreira, sal e pimenta malagueta (os dois últimos a gosto).

Artur Azevedo, maranhense de quatro costados, cioso do bom nome da (Cidade Ilustre), em que teve (a honra de nascer e onde quisera morrer), é o autor de uma carta em versos ao baiano Jovino Aires,  em que faz o louvor da comida típica de nossa terra. Pelo que diz nenhuma iguaria se compara ao arroz-de-cuxá. É quase um exagero de preferência.  

Este texto não comporta incursões mas profundas na vastidão a perder de vista dos sabores, odores, receitas e nomes líricos da cozinha maranhense, com sua imensa  diversidade de comidas, tira-gosto, acepipes, doces, refrescos e bebidas estimulantes e espirituosas. O assunto, por instigante e especializado, requer um trabalho especialmente a ele dedicado.

Ficam, assim, para esse possível trabalho, a listagem de ingredientes e as indicações a cerca dos modos de fazer nossas mil e uma iguarias. Exceção única será aberta ao cuxá. Imaginado prepará-lo em quantidade suficiente para  cinco ou seis pessoas será necessário dispor de:

 05 maços de vinagreira;

 250g de gergelim;

 500g de camarão seco;

 400g de farinha seca fina

Destaca-se a vinagreira, pondo as folhas a aferventar. Destaca-se o camarão, que deve ser de tamanho médio para pequeno, e não ficar de molho, sendo apenas ligeiramente lavado.

Torra-se o gergelim. Camarão, farinha-seca, gergelim ( e opcionalmente, pimenta malagueta) são levados ao pilão,  até que resultem numa espécie de farofa de componentes praticamente indiferenciáveis. À falta de pilão, o liqüidificador ou a máquina de moer carne fazem-lhe as vezes. Aquele com a adição de água em que  fervida a vinagreira; está, regulada na sua máxima capacidade de trituração. A vinagreira escorrida em peneira ou coador, deve ser cuidadosamente macerada sobre tábua especial ou passada no liqüidificador, até que se transforme em uma pasta espessa. Desmancha-se com água a farofa e junta-se-lhe a pasta de vinagreira. Leva-se ao fogo, tendo o cuidado de evitar que encaroce. É conveniente verificar se há necessidade de sal, além do contido no camarão.

Serve-se com arroz branco e peixe frito (peixe-serra, peixe-pedra, tainha, pescada) e ou torta de camarão.

É curioso que essa iguaria seja chamada de arroz de cuxá. Na verdade, o arroz funciona apenas como acompanhamento. Uma designação alongada, mais indicativa de todos os elementos constitutivos do prato seria: cuxá com arroz e peixe frito. Mas está consagrada a denominação abreviada pela força de uso secular.

Doces

Aqui é conferida ao vocábulo doçaria acepção, ampla capaz de compreender mingaus, beijus, cuscuz e bolos, inclusive os não doces, basicamente, entram na composição desses manjares: frutas regionais, massa de mandioca, macaxeira, Tapioca-de-Goma, Tapioca-do-Pará (que no Pará, chamam Tapioca-do-Maranhão), milho, farinha de trigo, arroz, ovos, batata-doce, inhame, cará, farinha d'água, araruta, óleos, manteiga, leite de coco, fermento e numerosíssimos outros itens que aqui não há espaço para enumerar.

Os condimentos são, conforme cada caso, açúcar, sal, cravinho, canela, erva-doce, casca de limão, etc.

Os doces e frutas podem ser cristalizados, de massa e em calda (igualmente chamados de compotas).

Estão entre os mais afamados porque especialmente preferidos os de bacuri, buriti, banana, laranja, abricó, murici, jaca, abacaxi, goiaba e caju. No caju, cujo o suco em mosto, após o competente arrobe, segundo a afirmação encomiástica de Simão  Estácio da Silveira " na formosura e efeitos, e tão bom como os das uvas", temos as castanhas, que, cobertas com açúcar são excelentes dos doces chamados secos, lembre-se exemplificativamente: dez-réis-só, pé-de-moleque, rebuçado,  pastilha, suspiro, cavaca, não-me-toques, mãe-benta, cocada, alfelô, alfenim e os doces-de-espécie, com suas graciosas configurações de estrelas jurarás, cajus e corações - , hoje praticamente desaparecidos de São Luís, mas resistindo em Alcântara como especialidade de suas doceiras em processo de lenta, gradual e lamentável extinção.

Outros doces de sabores deliciosos e denominações idem, são os suspiros-de-iaiá, olhos-de-sogra, quindins-de-iaiá, arrufos-de-sinhá, papos-de-anjo, canudos de baba-de-moça, bolinhos-de-amor, capelinhas, melindres e tantos mais que , banidos dos tabuleiros de rua e das tradicionais mesas de festas, igualmente começam a sê-lo de nossa lembrança.

A seção dos bolos e assemelhados abrange extensa área: bolo-inglês, bolo-podre, ou do Maranhão, bolo de macaxeira, manuê, bolo-de-tapioca, bolo-de-tapioca-do-Pará, de massa de mandioca, de milho, milho e arroz, sob a forma de fubá, prestam-se a cuscuz, que não dispensa leite de coco.

Bebidas

Os vinhos, emulsões e macerados, que entre nós recebem, conforme as circunstâncias, as denominações de cambica ou sembereba, compreendem, além de muitos outros, o de juçara e bacaba, que, se não levarem açúcar, podem ter camarão seco, peixe ou carne frita ou assada por acompanhamento. É comum funcionarem como refeição completa, hipótese em que exigem a parceria de farinha. Já os de murici, cupuaçu, jacama, buriti, caju, tamarindo, bacuri, cajá, cajazinho, sempre reclamam açúcar, ambora, quanto a farinha, não fechem questão.

Entre outras bebidas, lembremos, em primeiro plano, os licores, múltiplos no sabor e na fragrância, que para eles ocorrem, a bem dizer, todas as frutas sápidas. Sobre sucos e refrescos, é cabível idêntica observação.

O mocororó, o aluá e a gengibirra são três ausências que mexem com a saudade daqueles tempos, geralmente rememorados como bons e maravilhosos. Mas de par com a cachaça, que é patrimônio maranhense e brasileiro, exibimos, orgulhosos, a tiquira, que aprendemos dos índios e continuamos a produzi-la, sempre gostosa e azulada, na região do Munim. A ciência popular previne aos não-iniciados: não tomem banho logo após ingeri-la, a menos que desejem adormecer longa e profundamente no regaço de Baco. 

Praias:

A ilha de São Luís é banhada por um mar calmo de ondas fracas e águas esverdeadas. São aproximadamente 40 quilômetros de extensão que enchem os olhos de quem está em busca de largas faixas de areia, onde o horizonte se perde e o sol, que bronzeia o ano inteiro, se põe mais tarde. Quase nunca chove. E quando a chuva vem é sempre bem vinda para amenizar o calor de uma temperatura que nem mesmo no inverno vai abaixo, dos 22 graus.

Da Ponta d´Areia, São Marcos, Calhau, Caolho, Olho D'água, Araçagi a Raposa extensão de praia  que abraça a ilha e recebe vários nome; mas o visual muda. Surgem dunas, morros e pequenos córregos que seguem em direção ao oceano.

São José de Ribamar

São José de Ribamar, um dos quatro municípios da Ilha de São Luís, dista apenas 32 quilômetros da capital maranhense, à qual se liga por uma estrada repleta de sítios e vivendas aprazíveis.

Primitivamente uma aldeia indígena, tomou seu nome atual em razão de uma lenda piedosa assim contada: um navio que vinha de Lisboa para São Luís, desviou-se de sua rota e, em plena Baía de São José, esteve ameaçado de naufrágio, por grandes tempestades e vagalhões. Os tripulantes invocaram a proteção de São José, prometendo erguer-lhe uma capela na povoação ao longe divisada.

Tal foi a contrição das súplicas, que imediatamente o mar acalmou-se. E todos chegaram a terra, são e salvos.

Para cumprir a promessa, trouxeram de Lisboa uma  imagem de São José, entronizando-a a modesta igrejinha então erguida, de frente para o mar. Mas devotos residentes na antiga Anindiba dos indígenas, atual Paço do Lumiar, entenderam que a imagem deveria ser levada para a ermida daquela povoação. Sem que ninguém percebesse, realizaram  seu intento. No dia seguinte, porém, viram que a imagem ali não mais se encontrava, pois voltara, misteriosamente, à capela de origem. Repetiram a transferência, e colocaram pessoas a vigiar o santo, para que ele não voltasse a Ribamar.

São José, entretanto, transformando seu cajado em luzeiro, desceu da Igreja de Anindiba e, protegido por anjos e santos, regressou a Ribamar. E o caminho por onde ia passando o celeste cortejo, encheu-se de suaves rastros de luz. Somente assim compreenderam os moradores de Anindiba que o santo desejava permanecer em sua capela, de frente para o mar.

São José de Ribamar é uma das grandes devoções de nosso povo. Daí a profusão de Josés  e Marias de Ribamar entre os maranhenses, embora exista um tendência declinante desse costume.

Acredita-se, entretanto, que o culto do santo milagroso voltará a seus dias de esplendor, com a construção da basílica a ele consagrada.

No passado, ia-se a Ribamar, a cavalo ou em carro de boi, por uma estrada de terra, estreita e sinuosa,. Também se ia àquela cidade por mar.

Hoje a viagem é feita com muito conforto e rapidez. Mas a velha cidade balneária onde existe uma fonte de água mineral, continua cheia de encantos.

São José de Ribamar, além da famosa festa de seu padroeiro milagroso, durante dez dias de animação firme, em período móvel de setembro, a depender da lua cheia, antecipa, em agosto, o Festival do Peixe-Pedra e, de quebra, promove os do Marisco e do Coco d'água.

Mas o calendário festivo começa bem cedo, logo em janeiro, com os cordões de reis. Inclui a fundação da cidade, a 26, prossegue no domingo seguinte à quarta-feira de cinzas, com os foliões de São Luís e de lá repetindo o carnaval, no chamado Lava-Pratos, e se estende até dezembro, com o ciclo natalino, sendo de justiça referir a grande animação do período junino, com muitos bois de matraca e de zabumba reprisando a brincadeira, depois do dia de São Marçal.

Atrativos:

Praia: Caúna, Itapari, Panaquatira, Boa Viagem

Fonte: Poço da Saúde

Artesanato: de palha, madeira, linha, cipó, chifre etc.

Culinária: peixe cozido, peixe frito, camarão, cuxá,  preparados segundo diversas e deliciosas receitas.

Obs.: é famoso, pelo sabor especial, o peixe-pedra de Ribamar.

Bebidas: tiquira (aguardente de mandioca), cachaça, refresco e licores de frutas regionais.

 

Manifestações Folclóricas e Religiosas:

- Festa de São José de Ribamar, do Divino espírito Santo, de Nossa Senhora da Vitória.

- Quadrilhas, Cordões de Reis, Bumba-meu-boi (nos sotaques de matraca e de orquestra).

- Igreja de São José de Ribamar, Gruta de Lourdes (construída em 1957).